terça-feira, 13 de abril de 2010

CONCLUSÕES – TP 1


A língua não se apresenta uniforme e única: ela apresenta variações, conforme os grupos que a usem. Cada uma das variantes da língua usada por um grupo apresenta regularidades, recursos normais para aquele grupo, e chama-se dialeto. Os principais dialetos são: o etário (da criança, do jovem e do adulto); o geográfico, ou regional; o de gênero (feminino e masculino); o social (popular e culto); o profissional.

Os dialetos são equivalentes do ponto de vista lingüístico: nenhum é melhor do outro. Cada um cumpre perfeitamente suas funções comunicativas, no âmbito em que é usado. Considerar um superior a outro é um preconceito sem fundamento. O idioleto é o conjunto de marcas pessoais da língua de cada indivíduo, como resultante do cruzamento dos vários dialetos (etário, regional, profissional, de gênero, social) que constituem a sua fala.

Apresentados assim separadamente, os dialetos podem parecer incomunicáveis e “comportados” na sua classificação. Na língua, nada é assim tão simples. Ao contrário, numa atividade tão complexa como é a linguagem, os contatos e as soluções aparecem a cada momento, uma vez que, como já vimos cada locutor, em cada situação, faz as suas escolhas, de modo mais ou menos consciente.

Por outro lado, você deve ter percebido que cada um de nós, participando de vários grupos sociais, acaba sobrepondo, em cada ato de comunicação, mais de um dialeto. Veja o seu caso: a sua língua é o resultado de um dialeto regional, um dialeto etário, um dialeto de gênero, além do dialeto profissional e sociocultural. O resultado do cruzamento de todos esses dialetos cria uma forma particular sua de uso da língua, pelo que poderíamos dizer que haverá poucos ou nenhum outro sujeito que tenha a mesma soma de dialetos que você. Podemos dizer que sua língua tem a sua marca. É o que alguns autores chamam de idioleto.

Assim como pode acontecer em função de suas roupas, é comum as pessoas serem discriminadas pelo seu dialeto. Isso, além de desrespeitoso, é absolutamente indevido, do ponto de vista lingüístico: na realidade, todos os dialetos se equivalem, em termos de eficiência comunicativa. Nenhum é, lingüisticamente, melhor do que o outro. O formal tem a preocupação de evitar qualquer aproximação considerada indevida pelo locutor. Assim, na medida do possível, usa termos mais neutros, mais cuidados, certas formas e tempos verbais

No registro informal, as preferências são exatamente inversas. Evitam-se os tempos verbais mais requintados: as formas verbais simples são substituídas pelas compostas. As gírias ficam liberadas, assim como a emoção.

A norma culta não é melhor do que os outros dialetos: estes, tanto quanto a norma culta, cumprem perfeitamente sua função no ambiente em que são usados e com as pessoas desse ambiente. Aprender a norma culta é ter mais uma opção de uso da língua, importante em muitos momentos e ambientes. Quanto mais opções o sujeito tiver de uso da língua, mais ele vai poder atuar na sua comunidade e se desenvolver como cidadão.

Ninguém deve ser discriminado por apresentar um comportamento lingüístico diferente do outro.


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