Linguagem e Cultura
Unidade I - Variantes linguísticas: dialetos e registros
Unidade I - Variantes linguísticas: dialetos e registros
A linguagem reproduz a realidade cultural onde se vive.
Esta afirmativa nos apresenta uma nova realidade que é produzida por intermédio da linguagem. Aquele que fala faz renascer pelo seu discurso o acontecimento e a sua experiência do acontecimento. Aquele que ouve apreende primeiro o discurso e através desse discurso, o acontecimento reproduzido. Assim a situação decorrente do exercício da linguagem, que é a da troca e do diálogo, confere ao ato de discurso dupla função: para o locutor, representa a realidade; para o ouvinte, recria a realidade.
Diante dessa atual perspectiva educacional, somos convidados a trabalhar a linguagem de um modo que a língua não seja vista apenas como uma simples forma de comunicação, mas sim como uma interação, na qual os sujeitos envolvidos realizam uma ação de mão dupla, onde um influencia o outro na interação comunicativa.
Embora que ainda se tenha em nossas escolas uma visão, inserida por meio de nossa cultura, de enxergar a língua como simples forma de comunicação no simples sentido de se valorizar, sobretudo, o locutor/emissor, temos como missão, ao trabalhar o Tp 1 ou qualquer outra inovação no ensino da Língua Portuguesa, somos agentes da transformação, impulsionados a fazer com que nossos alunos entendam que a linguagem se faz da
1 - relação entre a língua e a cultura;
2 – variedade de dialetos do Português;
3 – imensa variedade de registros do Português.
E isso não é fácil!!!!!!!! Mudar um paradigma, uma situação já solidificada dá trabalho. Mas não tenhamos medo!Devemos ser corajosos e aceitar o desafio de mostrar aos nossos alunos que ao usarmos uma determinada variante lingüística, porque a julgamos apropriada para falar com aquele(s) ouvinte(s) em particular, estamos dando a roupa adequada a nossa comunicação. E essas variantes dependem de uma variedade social, geográfica, um registro mais ou menos formal, técnico, cortês, etc.
1º: A primeira atividade foi apresentá-los a uma nova de visão, de que tudo pode ser falado, mas que depende da situação e do contexto, através de uma roda de conversa sobre a imagem de um guarda-roupa e a frase “As várias roupas da Língua Portuguesa”, fazendo com a situação colocada apresentasse significados, reflexões, dúvidas e posicionamentos de opiniões sobre a atividade proposta, dividida em:
- Análise em grupos de estudos do tema propostos (15 minutos);
- Exposição e conclusão de pensamentos sobre o tema: Cada grupo apresentou o seu pensamento, suas conclusões a respeito do tema. E destaco a exposição de Leonardo e seu grupo: “Tia, nunca tinha prestado atenção que falo com minha família de um jeito, com meus professores e colegas de outro... E isso é a roupa da Língua Portuguesa.” Pude concluir que meus alunos entenderam o tema proposto e que a partir daí, mesmo com suas dificuldades culturais, aprenderam que temos variantes lingüísticas e que devemos usá-la no momento adequado, mas que não devemos esquecer a “norma”, a linguagem padronizada pela elite, para que sejamos “incluídos” na sociedade culta e moderna de hoje.
Então pude enxergar nessa etapa de experiência do GESTAR que meus alunos podem aprender a utilizar a língua da elite e a sua, sabendo usá-la na hora adequada. Não se deve mais manter em pé o pilar de que se tem um único jeito de falar, o resto é errado. Chega de elitizar a língua!Somos brasileiros, falamos a língua portuguesa, os dialetos e registros adequados ficam por conta do contexto comunicativo.
2º: Diante disso, apresentei a meus alunos o texto A estranha passageira, discutindo com eles a falha comunicativa:
1 - O senhor sabe? É a primeira vez que eu viajo de avião. Estou com zero hora de vôo – e riu nervosinha, coitada.
2 - Depois pediu que eu me sentasse ao seu lado, pois me achava muito calmo e isto iria fazer-lhe bem. Lá se ia a oportunidade de ler o romance policial que eu comprara no aeroporto, para me distrair na viagem. Suspirei e fiz o bacana respondendo que estava às suas ordens.
3 - Madama entrou no avião sobraçando um monte de embrulhos, que segurava desajeitadamente. Gorda como era, custou a se encaixar na poltrona e a arrumar todos aqueles pacotes. Depois não sabia como amarrar o cinto e eu tive que realizar essa operação em sua farta cintura.
4 - Afinal estava ali pronta para viajar. Os outros passageiros estavam já se divertindo às minhas custas, a zombar do meu embaraço ante as perguntas que aquela senhora me fazia aos berros, como se estivesse em sua casa, entre pessoas íntimas. A coisa foi ficando ridícula.
5 – Para que esse saquinho aqui? – foi a pergunta que fez, num tom de voz que parecia que ela estava no Rio e eu em São Paulo.
6 – É para a senhora usar em caso de necessidade – respondi baixinho.
7 Tenho certeza de que ninguém ouviu minha resposta, mas todos adivinharam qual foi, porque ela arregalou os olhos e exclamou:
8 – Uai... as necessidades neste saquinho? No avião não tem banheiro?
9 - Alguns passageiros riram, outros – por fineza – fingiram ignorar o lamentável equívoco da incômoda passageira de primeira viagem. Mas ela era um azougue (embora
com tantas carnes parecesse um açougue) e não parava de badalar. Olhava para trás, olhava para cima, mexia na poltrona e quase levou um tombo, quando puxou a alavanca
e empurrou o encosto com força, caindo para trás e esparramando embrulhos para todos os lados.
10 - O comandante já esquentara os motores e a aeronave estava parada, esperando ordens para ganhar a pista de decolagem. Percebi que minha vizinha de banco apertava os olhos e lia qualquer coisa. Logo veio a pergunta:
11 – Quem é essa tal de emergência que tem uma porta só para ela?
12 - Expliquei que emergência não era ninguém, a porta é que era de emergência, isto é, em caso de necessidade, saía-se por ela.
13 - Madama sossegou e os outros passageiros já estavam conformados com o término do “show”. Mesmo os que mais se divertiam com ele resolveram abrir os jornais, revistas ou se acomodarem para tirar uma pestana durante a viagem.
14 - Foi quando madama deu o último vexame. Olhou pela janela (ela pedira para ficar do lado da janela para ver a paisagem) e gritou:
15 – Puxa vida!!!
16 Todos olharam para ela, inclusive eu. Madama apontou para a janela e disse:
17 – Olha lá embaixo.
18 - Eu olhei. E ela acrescentou: – Como nós estamos voando alto, moço. Olha só... O pessoal lá embaixo até parece formiga.
19 - Suspirei e lasquei:
20 – Minha senhora, aquilo são formigas mesmo. O avião ainda não levantou vôo.
Preta, Stanislaw Ponte. Garoto linha dura. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1975.
- Leitura do texto;
- Discussão (interpretações, inferências e compreensão do texto);
Em discussão, mostrei-lhes que não adiantava falar corretamente a norma padrão sem que a função de comunicar algo não estivesse à situação do ouvinte. Preciso entender para saber expressar meu ponto de vista.
3º: Atividade para casa
Conteúdo:
• As variantes lingüísticas que conhecemos.
Objetivo:
• Fazer o “dicionário das variantes lingüísticas que conhecemos”.
• Sentir que sua linguagem não é discriminada;
• Trabalhar a construção textos (frase ou conjunto de frases usadas num contexto discursivo real);
• Discutir a adequação dos termos à situação de cada enunciado;
• Explicar as várias linguagens, através da ampliação de vocabulário;
Desenvolvimento:
(Avançando na Prática – Tp1 – página 17)
1. Conversa com os alunos sobre algumas palavras bem típicas usadas por eles e também sobre outras que usam da mesma maneira que os outros, adultos ou não: por exemplo, os verbos mais freqüentes na língua, os parentescos, partes do corpo. É o chamado “vocabulário fundamental”. Eles vão perceber que a maioria das palavras usadas por eles são empregadas pelos adultos.
2. Conversa sobre o vocabulário típico deles procurando saber o significado do mesmo;
3. Pedir que formassem grupos para estudo e pesquisa dos vários vocabulários lingüísticos, dividindo-os em:
Grupo 1 – Dialetos Regionais;
Grupo 2 – Dialeto Indígena;
Grupo 3 – Dialeto Infantil;
Grupo 4 – Dialeto Jovem de Gírias;
4. Apresentação dos trabalhos realizados;
Avaliação
Avaliar os alunos através das experiências ocorridas nas aulas, apresentando-lhes minha opinião sobre as atividades realizadas por eles.
Esta afirmativa nos apresenta uma nova realidade que é produzida por intermédio da linguagem. Aquele que fala faz renascer pelo seu discurso o acontecimento e a sua experiência do acontecimento. Aquele que ouve apreende primeiro o discurso e através desse discurso, o acontecimento reproduzido. Assim a situação decorrente do exercício da linguagem, que é a da troca e do diálogo, confere ao ato de discurso dupla função: para o locutor, representa a realidade; para o ouvinte, recria a realidade.
Diante dessa atual perspectiva educacional, somos convidados a trabalhar a linguagem de um modo que a língua não seja vista apenas como uma simples forma de comunicação, mas sim como uma interação, na qual os sujeitos envolvidos realizam uma ação de mão dupla, onde um influencia o outro na interação comunicativa.
Embora que ainda se tenha em nossas escolas uma visão, inserida por meio de nossa cultura, de enxergar a língua como simples forma de comunicação no simples sentido de se valorizar, sobretudo, o locutor/emissor, temos como missão, ao trabalhar o Tp 1 ou qualquer outra inovação no ensino da Língua Portuguesa, somos agentes da transformação, impulsionados a fazer com que nossos alunos entendam que a linguagem se faz da
1 - relação entre a língua e a cultura;
2 – variedade de dialetos do Português;
3 – imensa variedade de registros do Português.
E isso não é fácil!!!!!!!! Mudar um paradigma, uma situação já solidificada dá trabalho. Mas não tenhamos medo!Devemos ser corajosos e aceitar o desafio de mostrar aos nossos alunos que ao usarmos uma determinada variante lingüística, porque a julgamos apropriada para falar com aquele(s) ouvinte(s) em particular, estamos dando a roupa adequada a nossa comunicação. E essas variantes dependem de uma variedade social, geográfica, um registro mais ou menos formal, técnico, cortês, etc.
Desenvolvimento das Atividades do TP1 - 14/11/2009 – 7º C.
1º: A primeira atividade foi apresentá-los a uma nova de visão, de que tudo pode ser falado, mas que depende da situação e do contexto, através de uma roda de conversa sobre a imagem de um guarda-roupa e a frase “As várias roupas da Língua Portuguesa”, fazendo com a situação colocada apresentasse significados, reflexões, dúvidas e posicionamentos de opiniões sobre a atividade proposta, dividida em:
- Análise em grupos de estudos do tema propostos (15 minutos);
- Exposição e conclusão de pensamentos sobre o tema: Cada grupo apresentou o seu pensamento, suas conclusões a respeito do tema. E destaco a exposição de Leonardo e seu grupo: “Tia, nunca tinha prestado atenção que falo com minha família de um jeito, com meus professores e colegas de outro... E isso é a roupa da Língua Portuguesa.” Pude concluir que meus alunos entenderam o tema proposto e que a partir daí, mesmo com suas dificuldades culturais, aprenderam que temos variantes lingüísticas e que devemos usá-la no momento adequado, mas que não devemos esquecer a “norma”, a linguagem padronizada pela elite, para que sejamos “incluídos” na sociedade culta e moderna de hoje.
Então pude enxergar nessa etapa de experiência do GESTAR que meus alunos podem aprender a utilizar a língua da elite e a sua, sabendo usá-la na hora adequada. Não se deve mais manter em pé o pilar de que se tem um único jeito de falar, o resto é errado. Chega de elitizar a língua!Somos brasileiros, falamos a língua portuguesa, os dialetos e registros adequados ficam por conta do contexto comunicativo.
2º: Diante disso, apresentei a meus alunos o texto A estranha passageira, discutindo com eles a falha comunicativa:
1 - O senhor sabe? É a primeira vez que eu viajo de avião. Estou com zero hora de vôo – e riu nervosinha, coitada.
2 - Depois pediu que eu me sentasse ao seu lado, pois me achava muito calmo e isto iria fazer-lhe bem. Lá se ia a oportunidade de ler o romance policial que eu comprara no aeroporto, para me distrair na viagem. Suspirei e fiz o bacana respondendo que estava às suas ordens.
3 - Madama entrou no avião sobraçando um monte de embrulhos, que segurava desajeitadamente. Gorda como era, custou a se encaixar na poltrona e a arrumar todos aqueles pacotes. Depois não sabia como amarrar o cinto e eu tive que realizar essa operação em sua farta cintura.
4 - Afinal estava ali pronta para viajar. Os outros passageiros estavam já se divertindo às minhas custas, a zombar do meu embaraço ante as perguntas que aquela senhora me fazia aos berros, como se estivesse em sua casa, entre pessoas íntimas. A coisa foi ficando ridícula.
5 – Para que esse saquinho aqui? – foi a pergunta que fez, num tom de voz que parecia que ela estava no Rio e eu em São Paulo.
6 – É para a senhora usar em caso de necessidade – respondi baixinho.
7 Tenho certeza de que ninguém ouviu minha resposta, mas todos adivinharam qual foi, porque ela arregalou os olhos e exclamou:
8 – Uai... as necessidades neste saquinho? No avião não tem banheiro?
9 - Alguns passageiros riram, outros – por fineza – fingiram ignorar o lamentável equívoco da incômoda passageira de primeira viagem. Mas ela era um azougue (embora
com tantas carnes parecesse um açougue) e não parava de badalar. Olhava para trás, olhava para cima, mexia na poltrona e quase levou um tombo, quando puxou a alavanca
e empurrou o encosto com força, caindo para trás e esparramando embrulhos para todos os lados.
10 - O comandante já esquentara os motores e a aeronave estava parada, esperando ordens para ganhar a pista de decolagem. Percebi que minha vizinha de banco apertava os olhos e lia qualquer coisa. Logo veio a pergunta:
11 – Quem é essa tal de emergência que tem uma porta só para ela?
12 - Expliquei que emergência não era ninguém, a porta é que era de emergência, isto é, em caso de necessidade, saía-se por ela.
13 - Madama sossegou e os outros passageiros já estavam conformados com o término do “show”. Mesmo os que mais se divertiam com ele resolveram abrir os jornais, revistas ou se acomodarem para tirar uma pestana durante a viagem.
14 - Foi quando madama deu o último vexame. Olhou pela janela (ela pedira para ficar do lado da janela para ver a paisagem) e gritou:
15 – Puxa vida!!!
16 Todos olharam para ela, inclusive eu. Madama apontou para a janela e disse:
17 – Olha lá embaixo.
18 - Eu olhei. E ela acrescentou: – Como nós estamos voando alto, moço. Olha só... O pessoal lá embaixo até parece formiga.
19 - Suspirei e lasquei:
20 – Minha senhora, aquilo são formigas mesmo. O avião ainda não levantou vôo.
Preta, Stanislaw Ponte. Garoto linha dura. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1975.
- Leitura do texto;
- Discussão (interpretações, inferências e compreensão do texto);
Em discussão, mostrei-lhes que não adiantava falar corretamente a norma padrão sem que a função de comunicar algo não estivesse à situação do ouvinte. Preciso entender para saber expressar meu ponto de vista.
3º: Atividade para casa
Conteúdo:
• As variantes lingüísticas que conhecemos.
Objetivo:
• Fazer o “dicionário das variantes lingüísticas que conhecemos”.
• Sentir que sua linguagem não é discriminada;
• Trabalhar a construção textos (frase ou conjunto de frases usadas num contexto discursivo real);
• Discutir a adequação dos termos à situação de cada enunciado;
• Explicar as várias linguagens, através da ampliação de vocabulário;
Desenvolvimento:
(Avançando na Prática – Tp1 – página 17)
1. Conversa com os alunos sobre algumas palavras bem típicas usadas por eles e também sobre outras que usam da mesma maneira que os outros, adultos ou não: por exemplo, os verbos mais freqüentes na língua, os parentescos, partes do corpo. É o chamado “vocabulário fundamental”. Eles vão perceber que a maioria das palavras usadas por eles são empregadas pelos adultos.
2. Conversa sobre o vocabulário típico deles procurando saber o significado do mesmo;
3. Pedir que formassem grupos para estudo e pesquisa dos vários vocabulários lingüísticos, dividindo-os em:
Grupo 1 – Dialetos Regionais;
Grupo 2 – Dialeto Indígena;
Grupo 3 – Dialeto Infantil;
Grupo 4 – Dialeto Jovem de Gírias;
4. Apresentação dos trabalhos realizados;
Avaliação
Avaliar os alunos através das experiências ocorridas nas aulas, apresentando-lhes minha opinião sobre as atividades realizadas por eles.
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