MINISTÉRIO DE EDUCAÇÃO E CULTURA
SECRETARIA ESTADUAL DE EDUCAÇÃO DO CEARÁ
SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE BANABUIÚ
ESCOLA DE ENSINO FUNDAMENTAL CENTRO EDUCACIONAL MUNICIPAL CELESTINO DE SOUSA
PROGRAMA GESTAR II DE LÍNGUA PORTUGUESA
FORMADORA - IVONETE SAMPAIO
CURSISTA – SANDRA MARIA SANTOS DIAS
PROJETO
AS VÁRIAS ROUPAS DA LÍNGUA PORTUGUESA
BANABUIÚ - CEARÁ
ABRIL DE 2010
SUMÁRIO
1. Introdução
2. JUSTIFICATIVA
3. OBJETIVOS
3.1 Objetivo Geral
3.2 Objetivos Específicos
4. METODOLOGIA
5. CRONOGRAMA
6. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
7. REFERÊNCIAS
1. Introdução
A língua portuguesa é uma língua românica, flexiva que se originou no que é hoje a Galiza e o norte de Portugal, derivada do latim vulgar falado pelos povos pré-romanos que habitavam a parte ocidental da península Ibérica há cerca de dois mil anos.
Com mais de 260 milhões de falantes, é, como língua nativa, a quinta língua mais falada no mundo, a mais falada no hemisfério sul, a terceira mais falada no mundo ocidental e das que usam o alfabeto latino. Além de Portugal, é oficial em Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e, desde 13 de julho de 2007, na Guiné Equatorial, sendo também falado nos antigos territórios da Índia Portuguesa.
Na vasta e descontínua área em que é falada, a Língua Portuguesa apresenta-se, como qualquer língua viva, internamente diferenciada em variedades que divergem de maneira mais ou menos acentuada quanto à pronúncia, a gramática e ao vocabulário. Tais diferenças, entretanto, não comprometem a unidade do idioma: apesar da acidentada história da sua expansão, a língua portuguesa conseguiu manter até hoje apreciável coesão entre as suas variedades.
Mas, embora muitos jovens e adultos tenham um bom nível de escolaridade, em situações formais, diante de interlocutores desconhecidos, julgam-se incapazes de manifestar-se oralmente ou por escrito. Por outro lado, sentem-se à vontade para comunicar-se, para interagir com seus pares, com quem fala a mesma língua: seus amigos, sua “tribo”, seus familiares. A insegurança que condena a um silêncio forçado, apesar das centenas de horas-aula semanais de Língua Portuguesa durante no mínimo onze anos de Ensino Fundamental e Médio, é um indicativo de que na escola se ensina uma série de “conteúdos” sobre a língua, como se ela fosse um sistema pronto e acabado, abstrato, fechado, estático, em vez de trabalhá-la na sua forma concreta, como atividade fundamental da vida humana, da interação social. Na verdade, as aulas de Língua Portuguesa deveriam ser substituídas por aulas de linguagem, de trabalho com e de reflexão sobre a linguagem. Os “conteúdos” sobre a língua ensinada na escola referem-se a um conjunto de regras, a um modelo canônico de referência, muitas vezes distante, mas possível de ser apreendido para funcionar sempre do mesmo jeito em toda e qualquer situação discursiva. Ensinam-se regras de uma língua que, às vezes, nem existe, sem estabelecer qualquer relação com a língua materna, esta língua que o aluno conhece e cujas regras dominam muito bem, tanto assim que satisfazem plenamente suas necessidades de comunicação.
Trabalhar com novas propostas é um desafio, pois enxergar as dificuldades apresentadas pela maioria dos alunos nas várias situações de uso da linguagem nos indica a necessidade de trabalhar em sala de aula com atividades que desenvolvam a consciência da variação lingüística e do modo como as variantes se efetivam na interação cotidiana, assim como promovam a familiaridade com o texto oral e escrito de gêneros diversos, trazendo assim um novo modelo para o ensino de Língua Portuguesa. Mostra-se difícil e complicado mudar um paradigma já tão enraizado em nossos alunos e colegas de profissão que enxergam somente a leitura do texto propriamente dito é suficiente para entender seus significados. Mas nossa tarefa, é, a de que nossos alunos enxerguem a língua como algo bem próximo do seu dia a dia, assim como uma roupa que vestimos conforme o ambiente em que vamos está, adequada à situação, ao contexto do evento.
Vamos agora nos vestir da Língua Portuguesa e de suas riquezas comunicativas.
2. JUSTIFICATIVA
A escola Centro Educacional Municipal Celestino de Sousa é uma escola de Ensino Fundamental, situada à Rua Demócrito Pinto na sede do município de Banabuiú, no sertão central no estado do Ceará.
O CEMCS apresenta uma diversidade linguística e cultural devido ao seu alunado, já que nela encontram-se matriculados alunos de todas as classes sociais, da zona urbana e rural, tornando-se um campo excelente para o estudo em questão.
As antigas experiências de ensino de Língua Portuguesa nos relatam ainda essa noção de que a língua seja uma espécie de corpo homogêneo, estável, um produto acabado, uma espécie de caixa que disponibiliza ferramentas que comprovadamente levam a um resultado satisfatório, se o usuário souber fazer bom uso delas.
Atualmente, novas experiências de ensino da Língua Portuguesa são fundamentadas no princípio de que toda a atividade de linguagem em sala de aula deveria partir da língua em uso, ou seja, da língua sendo observada, investigada, no contexto de linguagem, pois a língua é parte constitutiva da identidade individual e social de cada ser humano – em boa medida, nós somos a língua que falamos.” Logo, é impossível olhar para a língua sem nos remetermos aos seres humanos que a falam e escrevem.
Ao trabalhar esse projeto, a nossa proposta é de que as atividades sobre e com a linguagem estejam fundamentadas no reconhecimento e na valorização da língua materna e das demais variantes. Na prática, significa que o usuário que se dispõe a estudar línguas deve ser levado a observar, a investigar, a pesquisar como elas funcionam em seus diferentes contextos de uso. Ou seja, levar o usuário a observar como as línguas se organizam, nos diferentes gêneros textuais, sejam eles textos orais ou textos escritos; ou, então, qual a variante linguística, ou a língua mais adequada para esta ou aquela situação discursiva.
Portanto, a proposta principal desse projeto é mostrar aos nossos alunos as “várias roupas da Língua Portuguesa”, bem como saber usar “a roupa adequada” naquele momento, naquela situação comunicativa.
3. OBJETIVOS
3.1 Objetivo Geral
- Proporcionar conhecimento das “várias roupas da Língua Portuguesa” e o seu adequado.
3.2 Objetivos Específicos
- Fundamentar as atividades sobre e com a linguagem estejam no reconhecimento e na valorização da língua materna e das demais variantes.
- Observar, investigar, pesquisar como funcionam a língua materna e as demais variantes em seus diferentes contextos de uso.
- Questionar o papel da escola no que diz respeito ao ensinar o funcionamento da língua e de suas variantes.
- Levar os usuários da Língua Portuguesa a uma postura reflexiva e investigativa em relação ao funcionamento da língua.
- Motivar o aluno na elaboração de uma escrita e uma oralidade satisfatória com coerência e coesão.
4. METODOLOGIA
A ação deste projeto desenvolver-se-á em etapas descritas a seguir:
- Pesquisa de textos que sejam exemplificadores das variações da Língua Portuguesa de forma lúdica e desafiadora.
- Elaboração de planejamento de aulas a serem desenvolvidas.
- Atividades de leituras dos textos selecionados.
- Discussão em torno de cada texto apresentado.
- Exposição de temas de cada proposta trabalhada.
- Produção de textos relacionados aos temas propostos.
- Amostra das atividades realizadas.
- Elaboração de um livro de memórias fotográfica do projeto realizado.
5. CRONOGRAMA
| PERÍODO | AÇÕES |
| 1º mês | Pesquisa Planejamento das Atividades/Aulas |
| 2º mês | Efetivação das Aulas |
| 3° mês | Produção de atividades; Amostra das atividades; Exposição do livro de memórias. |
6. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
O domínio da língua, seja ela oral ou escrita, é fundamental para a participação social efetiva, pois é por meio dela que o homem se comunica, tem acesso à informação, expressa e defende pontos de vista, partilha ou constrói visões de mundo, produz conhecimento. Por isso, ao ensiná-la, a escola tem a responsabilidade de garantir a todos os seus alunos o acesso aos saberes lingüísticos, necessários para o exercício da cidadania, direito inalienável de todos.
Desde a década de 80, o ensino de Língua Portuguesa na escola tem sido o centro da discussão acerca da necessidade de melhorar a qualidade da educação no País. No ensino fundamental, o ponto da discussão, no que se refere ao fracasso escolar, tem sido a questão da leitura e da escrita. Sabe-se que os índices brasileiros de repetência nas séries iniciais — inaceitáveis mesmo em países muito mais pobres — estão diretamente ligados à dificuldade que a escola tem de ensinar a ler e a escrever.
Os “conteúdos” sobre a língua ensinada na escola, infelizmente, ainda se referem a um conjunto de regras, a um modelo antigo de referência, muitas vezes distante, mas possível de ser apreendido para funcionar sempre do mesmo jeito em toda e qualquer situação discursiva. Ensinam-se regras de uma língua que, às vezes, nem existe, sem estabelecer qualquer relação com a língua materna, esta língua que o aluno conhece e cujas regras dominam muito bem, tanto assim que satisfazem plenamente suas necessidades de comunicação.
Sabemos que o objetivo maior da escola é ensinar a língua padrão, mas devemos lembrar que Possenti (1996) afirmou que "todos os que falam sabem falar", ou seja, não estamos diante de alunos estrangeiros e não precisamos ensinar uma língua, mas, temos como objetivo aprofundar os conhecimentos que o aluno tem de sua própria língua, mostrando-o que esta apresenta variante, entre elas, uma mais prestigiada e que lhe proporcionará acesso a cultura elevada do seu país: a língua padrão. O ensino da língua padrão, no entanto, não deve ser baseado em estudos puramente gramaticais. É preciso muito mais do que exercícios de análise sintática, é preciso refletir sobre a língua e proporcionar na escola oportunidades de contato com suas diversas manifestações, propiciando leitura de textos diversos e compreensão reflexiva dos fatos linguísticos. E isso não se resume a textos, atividades e gramática descontextualizada.
Continuaremos mantendo a estagnação na educação enquanto não pensarmos para quem é nossa aula. Nosso aluno precisa saber primeiro o que núcleo do sujeito ou apreciar uma boa leitura? Devemos nos preocupar primeiramente com a nomenclatura ou se o estudante é capaz de ler um texto e compreendê-lo? As respostas são óbvias, mas a prática parece não corresponder a esta obviedade.
Infelizmente muitos de nossos professores continuam seguindo o livro didático e nunca pensando no que realmente essencial à vida daqueles alunos, ensinando análise sintática a crianças mal alimentadas, pálidas, que acabam, depois de aulas onde não faltam castigos e broncas, condicionadas a distinguir o sujeito de uma oração. Essas crianças passarão alguns anos na escola sem saber que poderão acertar o sujeito da oração, mas que nunca serão sujeitos das suas próprias histórias. (GERALDI, 2002 p.16), separando a leitura do entendimento e da reflexão, como se não fossem conseqüências naturais.
Segundo Perini “... tal como um professor de biologia nunca determina como deve ser a natureza, o professor de gramática terá que deixar de lado a pretensão de determinar como deve ser a língua." (PERINI, 1997, p.56). Nessa perspectiva, mas do que ditar regras é importante estar abertas às novas possibilidades que a língua pode trazer a cada dia, na medida em que ela não está fechada às mudanças. Antes disso, as mudanças são inevitáveis para qualquer língua do mundo.
Devemos sempre, como educadores que buscam trabalhar a Língua Portuguesa de uma forma que nossos alunos saibam utilizá-las realmente, questionar-se sobre o verdadeiro papel da escola no que diz respeito ao ensinar a investigar o funcionamento da língua. O que, objetivamente, devemos ensinar aos nossos alunos em nossas aulas de português? Como levar os usuários da Língua Portuguesa a uma postura reflexiva e investigativa em relação ao funcionamento das línguas? Mesmo que a norma-padrão não seja a língua materna de ninguém, ela deve ser uma das prioridades das aulas de Língua Portuguesa, considerando sua estreita ligação com a escrita, a qual, por sua vez,
tem permitido o armazenamento e a transmissão dos conhecimentos. Para ter acesso, para se apoderar e interagir com a cultura mais valorizada e prestigiada e integrar-se na produção/condução/transformação da sociedade, é imprescindível conhecer o funcionamento da norma-padrão. Quando se trata de alunos oriundos de camadas sociais desfavorecidas, o compromisso da escola com o ensino da norma-padrão é ainda maior, pois se trata de propiciar condições para as mesmas a possibilidade de lutar com as mesmas armas que as classes mais favorecidas. Ressalte-se, porém, que dominar o funcionamento da norma-padrão independe da memorização de regras, de conceitos. Não basta levar o aluno a conhecer todas as regras padronizadas e a familiarizar-se com elas, para saber aplicá-las com precisão e adequação.
É preciso desenvolver um ensino crítico da norma-padrão, dando espaço e fazendo um contraponto com o maior número possível de manifestações lingüísticas, concretizadas no maior número possível de gêneros textuais e de variedades de língua, aos nossos alunos, apresentando-lhes em sala de aula, condições de assumirem sua palavra, de se tornarem sujeitos de seu discurso. Sob essa ótica, não é o usuário que se submete e adequa o seu dizer às regras da língua, mas esta está à sua disposição para servi-lo nas mais diferentes situações discursivas, para ser bem sucedido em qualquer situação comunicativa.
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BENNETT. William J. O livro das virtudes- Editora Nova Fronteira: Rio de Janeiro,1993.
GERALDI, João W. O professor como leitor do texto do aluno. 7. ed São Paulo:Contexto, 2004.
GERALDI, João w (org). O ter na sala de aula. 3º ed. Editora Ática: São Paulo,2002.
PERINI, Mário. Sofrendo a gramática. São Paulo: Ática, 1997.
POSSENTI, Sírio. Por que (não) ensinar gramática na escola. Campinas/São Paulo: ALB, Mercado de Letras, 1996.
________ Ministério da Educação e do Desporto. Parâmetros Curriculares Nacionais: Língua Portuguesa, Brasília, Secretaria de Educação Fundamental, 1997.
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