quinta-feira, 15 de abril de 2010

PROJETO

Ainda uma Leitura dos Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa

MINISTÉRIO DE EDUCAÇÃO E CULTURA
SECRETARIA ESTADUAL DE EDUCAÇÃO DO CEARÁ
SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE BANABUIÚ

ESCOLA DE ENSINO FUNDAMENTAL CENTRO EDUCACIONAL MUNICIPAL CELESTINO DE SOUSA
PROGRAMA GESTAR II DE LÍNGUA PORTUGUESA
FORMADORA - IVONETE SAMPAIO

CURSISTA – SANDRA MARIA SANTOS DIAS



PROJETO

AS VÁRIAS ROUPAS DA LÍNGUA PORTUGUESA



BANABUIÚ - CEARÁ

ABRIL DE 2010



SUMÁRIO

1. Introdução

2. JUSTIFICATIVA

3. OBJETIVOS

3.1 Objetivo Geral

3.2 Objetivos Específicos

4. METODOLOGIA

5. CRONOGRAMA

6. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

7. REFERÊNCIAS


1. Introdução

A língua portuguesa é uma língua românica, flexiva que se originou no que é hoje a Galiza e o norte de Portugal, derivada do latim vulgar falado pelos povos pré-romanos que habitavam a parte ocidental da península Ibérica há cerca de dois mil anos.

Com mais de 260 milhões de falantes, é, como língua nativa, a quinta língua mais falada no mundo, a mais falada no hemisfério sul, a terceira mais falada no mundo ocidental e das que usam o alfabeto latino. Além de Portugal, é oficial em Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e, desde 13 de julho de 2007, na Guiné Equatorial, sendo também falado nos antigos territórios da Índia Portuguesa.

Na vasta e descontínua área em que é falada, a Língua Portuguesa apresenta-se, como qualquer língua viva, internamente diferenciada em variedades que divergem de maneira mais ou menos acentuada quanto à pronúncia, a gramática e ao vocabulário. Tais diferenças, entretanto, não comprometem a unidade do idioma: apesar da acidentada história da sua expansão, a língua portuguesa conseguiu manter até hoje apreciável coesão entre as suas variedades.

Mas, embora muitos jovens e adultos tenham um bom nível de escolaridade, em situações formais, diante de interlocutores desconhecidos, julgam-se incapazes de manifestar-se oralmente ou por escrito. Por outro lado, sentem-se à vontade para comunicar-se, para interagir com seus pares, com quem fala a mesma língua: seus amigos, sua “tribo”, seus familiares. A insegurança que condena a um silêncio forçado, apesar das centenas de horas-aula semanais de Língua Portuguesa durante no mínimo onze anos de Ensino Fundamental e Médio, é um indicativo de que na escola se ensina uma série de “conteúdos” sobre a língua, como se ela fosse um sistema pronto e acabado, abstrato, fechado, estático, em vez de trabalhá-la na sua forma concreta, como atividade fundamental da vida humana, da interação social. Na verdade, as aulas de Língua Portuguesa deveriam ser substituídas por aulas de linguagem, de trabalho com e de reflexão sobre a linguagem. Os “conteúdos” sobre a língua ensinada na escola referem-se a um conjunto de regras, a um modelo canônico de referência, muitas vezes distante, mas possível de ser apreendido para funcionar sempre do mesmo jeito em toda e qualquer situação discursiva. Ensinam-se regras de uma língua que, às vezes, nem existe, sem estabelecer qualquer relação com a língua materna, esta língua que o aluno conhece e cujas regras dominam muito bem, tanto assim que satisfazem plenamente suas necessidades de comunicação.

Trabalhar com novas propostas é um desafio, pois enxergar as dificuldades apresentadas pela maioria dos alunos nas várias situações de uso da linguagem nos indica a necessidade de trabalhar em sala de aula com atividades que desenvolvam a consciência da variação lingüística e do modo como as variantes se efetivam na interação cotidiana, assim como promovam a familiaridade com o texto oral e escrito de gêneros diversos, trazendo assim um novo modelo para o ensino de Língua Portuguesa. Mostra-se difícil e complicado mudar um paradigma já tão enraizado em nossos alunos e colegas de profissão que enxergam somente a leitura do texto propriamente dito é suficiente para entender seus significados. Mas nossa tarefa, é, a de que nossos alunos enxerguem a língua como algo bem próximo do seu dia a dia, assim como uma roupa que vestimos conforme o ambiente em que vamos está, adequada à situação, ao contexto do evento.

Vamos agora nos vestir da Língua Portuguesa e de suas riquezas comunicativas.


2. JUSTIFICATIVA
A escola Centro Educacional Municipal Celestino de Sousa é uma escola de Ensino Fundamental, situada à Rua Demócrito Pinto na sede do município de Banabuiú, no sertão central no estado do Ceará.

O CEMCS apresenta uma diversidade linguística e cultural devido ao seu alunado, já que nela encontram-se matriculados alunos de todas as classes sociais, da zona urbana e rural, tornando-se um campo excelente para o estudo em questão.

As antigas experiências de ensino de Língua Portuguesa nos relatam ainda essa noção de que a língua seja uma espécie de corpo homogêneo, estável, um produto acabado, uma espécie de caixa que disponibiliza ferramentas que comprovadamente levam a um resultado satisfatório, se o usuário souber fazer bom uso delas.

Atualmente, novas experiências de ensino da Língua Portuguesa são fundamentadas no princípio de que toda a atividade de linguagem em sala de aula deveria partir da língua em uso, ou seja, da língua sendo observada, investigada, no contexto de linguagem, pois a língua é parte constitutiva da identidade individual e social de cada ser humano – em boa medida, nós somos a língua que falamos.” Logo, é impossível olhar para a língua sem nos remetermos aos seres humanos que a falam e escrevem.

Ao trabalhar esse projeto, a nossa proposta é de que as atividades sobre e com a linguagem estejam fundamentadas no reconhecimento e na valorização da língua materna e das demais variantes. Na prática, significa que o usuário que se dispõe a estudar línguas deve ser levado a observar, a investigar, a pesquisar como elas funcionam em seus diferentes contextos de uso. Ou seja, levar o usuário a observar como as línguas se organizam, nos diferentes gêneros textuais, sejam eles textos orais ou textos escritos; ou, então, qual a variante linguística, ou a língua mais adequada para esta ou aquela situação discursiva.

Portanto, a proposta principal desse projeto é mostrar aos nossos alunos as “várias roupas da Língua Portuguesa”, bem como saber usar “a roupa adequada” naquele momento, naquela situação comunicativa.


3. OBJETIVOS

3.1 Objetivo Geral

  • Proporcionar conhecimento das “várias roupas da Língua Portuguesa” e o seu adequado.

3.2 Objetivos Específicos

  • Fundamentar as atividades sobre e com a linguagem estejam no reconhecimento e na valorização da língua materna e das demais variantes.

  • Observar, investigar, pesquisar como funcionam a língua materna e as demais variantes em seus diferentes contextos de uso.

  • Questionar o papel da escola no que diz respeito ao ensinar o funcionamento da língua e de suas variantes.

  • Levar os usuários da Língua Portuguesa a uma postura reflexiva e investigativa em relação ao funcionamento da língua.

  • Motivar o aluno na elaboração de uma escrita e uma oralidade satisfatória com coerência e coesão.


4. METODOLOGIA

A ação deste projeto desenvolver-se-á em etapas descritas a seguir:

  1. Pesquisa de textos que sejam exemplificadores das variações da Língua Portuguesa de forma lúdica e desafiadora.
  2. Elaboração de planejamento de aulas a serem desenvolvidas.
  3. Atividades de leituras dos textos selecionados.
  4. Discussão em torno de cada texto apresentado.
  5. Exposição de temas de cada proposta trabalhada.
  6. Produção de textos relacionados aos temas propostos.
  7. Amostra das atividades realizadas.
  8. Elaboração de um livro de memórias fotográfica do projeto realizado.


5. CRONOGRAMA

PERÍODO

AÇÕES

1º mês

Pesquisa

Planejamento das Atividades/Aulas

2º mês

Efetivação das Aulas

3° mês

Produção de atividades;

Amostra das atividades;

Exposição do livro de memórias.


6. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

O domínio da língua, seja ela oral ou escrita, é fundamental para a participação social efetiva, pois é por meio dela que o homem se comunica, tem acesso à informação, expressa e defende pontos de vista, partilha ou constrói visões de mundo, produz conhecimento. Por isso, ao ensiná-la, a escola tem a responsabilidade de garantir a todos os seus alunos o acesso aos saberes lingüísticos, necessários para o exercício da cidadania, direito inalienável de todos.

Desde a década de 80, o ensino de Língua Portuguesa na escola tem sido o centro da discussão acerca da necessidade de melhorar a qualidade da educação no País. No ensino fundamental, o ponto da discussão, no que se refere ao fracasso escolar, tem sido a questão da leitura e da escrita. Sabe-se que os índices brasileiros de repetência nas séries iniciais — inaceitáveis mesmo em países muito mais pobres — estão diretamente ligados à dificuldade que a escola tem de ensinar a ler e a escrever.

Os “conteúdos” sobre a língua ensinada na escola, infelizmente, ainda se referem a um conjunto de regras, a um modelo antigo de referência, muitas vezes distante, mas possível de ser apreendido para funcionar sempre do mesmo jeito em toda e qualquer situação discursiva. Ensinam-se regras de uma língua que, às vezes, nem existe, sem estabelecer qualquer relação com a língua materna, esta língua que o aluno conhece e cujas regras dominam muito bem, tanto assim que satisfazem plenamente suas necessidades de comunicação.

Sabemos que o objetivo maior da escola é ensinar a língua padrão, mas devemos lembrar que Possenti (1996) afirmou que "todos os que falam sabem falar", ou seja, não estamos diante de alunos estrangeiros e não precisamos ensinar uma língua, mas, temos como objetivo aprofundar os conhecimentos que o aluno tem de sua própria língua, mostrando-o que esta apresenta variante, entre elas, uma mais prestigiada e que lhe proporcionará acesso a cultura elevada do seu país: a língua padrão. O ensino da língua padrão, no entanto, não deve ser baseado em estudos puramente gramaticais. É preciso muito mais do que exercícios de análise sintática, é preciso refletir sobre a língua e proporcionar na escola oportunidades de contato com suas diversas manifestações, propiciando leitura de textos diversos e compreensão reflexiva dos fatos linguísticos. E isso não se resume a textos, atividades e gramática descontextualizada.

Continuaremos mantendo a estagnação na educação enquanto não pensarmos para quem é nossa aula. Nosso aluno precisa saber primeiro o que núcleo do sujeito ou apreciar uma boa leitura? Devemos nos preocupar primeiramente com a nomenclatura ou se o estudante é capaz de ler um texto e compreendê-lo? As respostas são óbvias, mas a prática parece não corresponder a esta obviedade.

Infelizmente muitos de nossos professores continuam seguindo o livro didático e nunca pensando no que realmente essencial à vida daqueles alunos, ensinando análise sintática a crianças mal alimentadas, pálidas, que acabam, depois de aulas onde não faltam castigos e broncas, condicionadas a distinguir o sujeito de uma oração. Essas crianças passarão alguns anos na escola sem saber que poderão acertar o sujeito da oração, mas que nunca serão sujeitos das suas próprias histórias. (GERALDI, 2002 p.16), separando a leitura do entendimento e da reflexão, como se não fossem conseqüências naturais.

Segundo Perini “... tal como um professor de biologia nunca determina como deve ser a natureza, o professor de gramática terá que deixar de lado a pretensão de determinar como deve ser a língua." (PERINI, 1997, p.56). Nessa perspectiva, mas do que ditar regras é importante estar abertas às novas possibilidades que a língua pode trazer a cada dia, na medida em que ela não está fechada às mudanças. Antes disso, as mudanças são inevitáveis para qualquer língua do mundo.

Devemos sempre, como educadores que buscam trabalhar a Língua Portuguesa de uma forma que nossos alunos saibam utilizá-las realmente, questionar-se sobre o verdadeiro papel da escola no que diz respeito ao ensinar a investigar o funcionamento da língua. O que, objetivamente, devemos ensinar aos nossos alunos em nossas aulas de português? Como levar os usuários da Língua Portuguesa a uma postura reflexiva e investigativa em relação ao funcionamento das línguas? Mesmo que a norma-padrão não seja a língua materna de ninguém, ela deve ser uma das prioridades das aulas de Língua Portuguesa, considerando sua estreita ligação com a escrita, a qual, por sua vez,

tem permitido o armazenamento e a transmissão dos conhecimentos. Para ter acesso, para se apoderar e interagir com a cultura mais valorizada e prestigiada e integrar-se na produção/condução/transformação da sociedade, é imprescindível conhecer o funcionamento da norma-padrão. Quando se trata de alunos oriundos de camadas sociais desfavorecidas, o compromisso da escola com o ensino da norma-padrão é ainda maior, pois se trata de propiciar condições para as mesmas a possibilidade de lutar com as mesmas armas que as classes mais favorecidas. Ressalte-se, porém, que dominar o funcionamento da norma-padrão independe da memorização de regras, de conceitos. Não basta levar o aluno a conhecer todas as regras padronizadas e a familiarizar-se com elas, para saber aplicá-las com precisão e adequação.

É preciso desenvolver um ensino crítico da norma-padrão, dando espaço e fazendo um contraponto com o maior número possível de manifestações lingüísticas, concretizadas no maior número possível de gêneros textuais e de variedades de língua, aos nossos alunos, apresentando-lhes em sala de aula, condições de assumirem sua palavra, de se tornarem sujeitos de seu discurso. Sob essa ótica, não é o usuário que se submete e adequa o seu dizer às regras da língua, mas esta está à sua disposição para servi-lo nas mais diferentes situações discursivas, para ser bem sucedido em qualquer situação comunicativa.


7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BENNETT. William J. O livro das virtudes- Editora Nova Fronteira: Rio de Janeiro,1993.

GERALDI, João W. O professor como leitor do texto do aluno. 7. ed São Paulo:Contexto, 2004.

GERALDI, João w (org). O ter na sala de aula. 3º ed. Editora Ática: São Paulo,2002.

PERINI, Mário. Sofrendo a gramática. São Paulo: Ática, 1997.

POSSENTI, Sírio. Por que (não) ensinar gramática na escola. Campinas/São Paulo: ALB, Mercado de Letras, 1996.

________ Ministério da Educação e do Desporto. Parâmetros Curriculares Nacionais: Língua Portuguesa, Brasília, Secretaria de Educação Fundamental, 1997.


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